Antioxidante que vem das colmeias

Que a própolis é usada como um medicamento natural muitos já sabem. Não é difícil encontrar alguém que sempre que está com uma dorzinha de garganta já corre para a farmácia para comprar extrato de própolis, não apenas no Brasil, mas em vários países. Mas você sabe exatamente o que é a própolis?

A própolis é utilizada pelas abelhas para blindar as colmeias, por conter componentes que ajudam na preservação contra agentes externos. Se as abelhas usam a própolis como uma espécie de conservante, por que não utilizar também nos nossos alimentos e cosméticos? Foi pensando nisso que pesquisadores decidiram estudar as propriedades antioxidantes da própolis verde. Na pesquisa foi utilizada a própolis verde (a composição de cada tipo de própolis varia conforme a região em que as abelhas vivem e as plantas do local). A produção da própolis verde tem como principal planta de origem o alecrim-do-campo (Baccharis dracunculifolia), também conhecido como vassourinha, que tem folhas que lembram o alecrim tão usado na culinária, mas que não tem relação nenhuma com tal espécie. A própolis verde possui uma mistura de componentes que evidenciam seu uso potencial como antioxidante. Os cientistas responsáveis produziram extratos de própolis verde de forma a garantir uma alta concentração dos compostos antioxidantes. Para isso foi feita uma etapa de otimização do processo de extração (assunto para outra matéria no nosso blog). Com as condições ótimas bem definidas, foram realizados testes de aplicação em uma emulsão modelo. Usa-se um sistema modelo para avaliar o potencial de uso em vários produtos do mesmo tipo. Nesse caso, o sistema modelo foi uma emulsão de óleo em água, que permite a extrapolação dos efeitos para maioneses até hidratantes para o corpo. Além de conhecer o efeito antioxidante do extrato da própolis verde, ter indicadores de segurança também é muito importante. Por isso foi realizado um teste in vivo, com uma levedura muito utilizada na indústria alimentícia (Saccharomyces cerevisiae). Pelo teste com as células é possível identificar possíveis ações indesejadas aos seres vivos. Após os experimentos foi possível perceber que o extrato da própolis verde produzido nas condições otimizadas de processo teve um excelente efeito antioxidante, com potencial para aplicação em emulsões. Além disso, e não alterou as membranas das células das leveduras, o que indica de forma inicial a inocuidade para uso com segurança (diferentemente de outros antioxidantes sintéticos largamente utilizados em maioneses, cosméticos e outros produtos contendo óleo).


Além de uma ajudinha daquelas na hora da tosse, a própolis apresentou mais um benefício ao ser humano, expandindo as possibilidades de seu uso. Pesquisas ainda estão sendo feitas para usufruirmos mais desse presente da natureza, pois é necessário conhecer o impacto no gosto e aroma dos produtos. É por isso que pesquisadores e profissionais do ramo de alimentos continuarão a dedicar seu tempo e esforços para que todos tenhamos, sempre, uma ótima qualidade de vida.


Por Pedro Dias e Thais Vieira para o Blog ESALQ Food


Referência:

CAVALARO, R. I., CRUZ, R. G., DUPONT, S., DE MOURA BELL, J. M. L. N., VIEIRA, T. M. F. S. In vitro and in vivo antioxidant properties of bioactive compounds from Green Propolis obtained by ultrasound-assisted extraction. Food Chemistry: X. v. 4, 100054, 2019 DOI: 10.1016/J.FOCHX.2019.100054



Apoio: PRCEU USP e Santander Universidades




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